A decisão do presidente em exercício Michel Temer em
inconstitucionalmente decretar uma intervenção federal no Rio de Janeiro
pegou todos de surpresa. Inclusive o general Braga Netto, responsável
por comandar a intervenção, que estava a passeio com a família. O
próprio general Braga Netto (importante ressaltar que apresenta um
perfil combatente), assim como o comandante do Exército Brasileiro, o
general Eduardo Villas Bôas, já expressaram suas devidas preocupações na
utilização das forças armadas em substituição das forças convencionais
estaduais.
O soldado do exército brasileiro não deveria nunca, em plena função de
suas faculdades mentais, apontar uma arma para um cidadão brasileiro. A
decisão não foi tomada utilizando parâmetros plausíveis, como, por
exemplo, taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes, onde o Rio
configura a décima posição. Ou por atendimento aos artigos 34 e 36 do
capítulo VI do que sobrou da Constituição. A invocação do inciso três do
artigo 34 apenas mascara o quinquagésimo nono golpe do presidente em
exercício. A intervenção atende aos apelos dos eleitores do
esquizofrênico partidário Jair Bolsonaro. Tal medida visa angariar votos
dos eleitores politicamente ignorantes que enxergam a violência carioca
de forma pueril. Que se sentem melhor com uma atuação radical contra o
“crime organizado que assola o estado”.
Traficantes de drogas são apenas varejistas de produtos que são
consumidos por todas as camadas da sociedade. Mas eles são não
produtores, químicos, que conseguem esconder milhões em pasta de coca
dentro de um helicóptero. E a pobre aeronave foi condenada por porte de
drogas.
Temer optou pela neuropolítica. Sim, isso existe e é a base da
intervenção, graças aos seus queridos amigos do peito Antonio Lavareda
(pioneiro nos estudos da neuropolítica no Brasil) e Elsinho Mouco, o
marqueteiro favorito de Temer, no qual repasses ao seu irmão cresceram
inacreditáveis 82% no governo pós-golpe.
Contratos de marketing que ultrapassam R$ 208 milhões e amigos especiais
que atuam como “especialistas” em segurança pública e direito
constitucional nos tempos livres, por pedido de um grande amigo, é
claro, podem ter vários motivos.
Pode ser minar o eleitorado do Bolsonaro, contando com uma possível
prisão do Lula para fechar um governo neoliberal entreguista e usurpador
com o PSDB. Pode ser até um tiro no próprio pé, mediante o entendimento
do Congresso em relação a decisão do Temer. Pode ser uma artimanha
para, de fato, estabelecer um estado de exceção e impedir uma eleição
democrática este ano. Pode ser um golpe dentro do décimo golpe para
impugnar uma possível eleição futura. Enfim. Podemos investir horas
conjecturando os reais motivos dessa intervenção.
Uma coisa é fato: Depois de quatro vitórias democráticas consecutivas da
esquerda, a direta neoliberal entreguista não pode perder esse
aparelhamento estatal criado para inibir a democracia, porque se isso
escapar de suas mãos.... bem, vamos dar tempo ao tempo e nos manter
vigilantes contra violências cometidos contra o povo brasileiro e a
parcela pobre e negra do Rio de Janeiro, foco principal dos abusos que,
certamente, serão cometidos.
Artigo de Dado Derec - Colaborador do blog

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