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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Acidente entre micro-ônibus e carreta mata 15 pessoas em Minas Gerais




Uma colisão entre uma carreta e um micro-ônibus deixou 15 mortos na Rodovia BR-251, próximo à cidade de Padre Carvalho, em Minas Gerais. Os feridos foram encaminhados ao pronto socorro do Hospital Municipal de Salinas. De acordo com as últimas informações, 11 estão feridas.


As primeiras informações da Polícia Rodoviária Federal dão conta que o micro-ônibus do Serviço de Transporte em Saúde de Rubelita levava pacientes para tratamento em Montes Claros, quando colidiu de frente com uma carreta, no trevo de Padre Carvalho. O motorista da carreta ficou preso às ferragens e o Corpo de Bombeiros ainda está local.

Segundo o pronto-socorro de Salinas, a maioria dos feridos está com fraturas, em estado grave. Pelos menos duas pessoas, inclusive um menor de idade, foram transferidos para Montes Claros.


LISTA DE NOMES DAS VÍTIMAS QUE MORRERAM (são 15, mas foram liberados os nomes de 14) 


Ana Corrêa de Almeida, 78 anos;

Maria Lúcia Almeida Araújo, 52 anos;


Adiléia Aparecida de Souza Leal, 37 anos;

Gleiciele Aparecida Caldeira, 26 anos;

José Ferreira da Silva, 24 anos;

Maria Aparecida Caldeira, 47 anos;

Lucas Silva Miranda, 05 anos;

Caic Aparecido Ferreira da Silva, 14 anos;

Maria Madalena dos Santos, 43 anos;

Domingas Regina da Paixão, 84 anos;

Otávio Cândido da Costa, 54 anos completados na última quarta-feira, dia 20;

Willian Vieira (condutor do micro-ônibus e idade não informada)

Ivanéia Bispo Pereira, 55 anos (faria 56 anos no próximo domingo);


Fernando Vieira de Oliveira, 25 anos.

Fonte: 7º Batalhão do Corpo de Bombeiros de Montes Claros

SINGER: BARBOSA AGE COMO CANDIDATO À PRESIDÊNCIA

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Conta de luz mais cara pressiona a inflação



JONATHAN HECKLER/JC
Tarifa da energia elétrica fez avançar o IPC-S, de 1,75% para 2,61%
Tarifa da energia elétrica fez avançar o IPC-S, de 1,75% para 2,61%
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) atingiu 0,67% na terceira prévia de novembro, com elevação de 0,03 ponto percentual em comparação à última medição. O levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) indica que quatro dos oito grupos pesquisados apresentaram aumentos com taxas superiores às apuradas na segunda prévia do mês.
   
A maior influência na elevação do IPC-S foi constatada no grupo habitação (de 0,78% para 0,85%), com destaque para a tarifa de eletricidade residencial, que subiu de 1,75% para 2,61%. Os demais grupos com acréscimos são transportes (de 0,01% para 0,05%), comunicação (de 0,81% para 0,99%) e despesas diversas (de 0,74% para 0,98%).
   
Em movimento oposto, ocorreram decréscimos em alimentação (de 0,99% para 0,95%), saúde e cuidados pessoais (de 0,53% para 0,50%), educação, leitura e recreação (de 0,41% para 0,38%) e vestuário (de 0,78% para 0,76%).
   
Os principais itens que influenciaram o avanço do IPC-S foram tarifa de energia elétrica residencial (de 1,75% para 2,61%), aluguel residencial (de 0,86% para 0,89%), tomate (de 23,65% para 17,70%), refeições em bares e restaurantes (de 0,46% para 0,44%) e passagem aérea (de 9,63% para 11,92%).

FGTS perde rentabilidade e impulsiona ações de beneficiados para reaver valores


Com rendimento inferior ao da poupança, Fundo sofre perdas bilionárias, que somente neste ano chegam a R$ 27 bilhões
Marina Schmidt
MARCO QUINTANA/JC
Nara acompanha 400 ações em andamento
Nara acompanha 400 ações em andamento
Para o trabalhador, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) é uma segurança que garante amparo em caso de desemprego ou mesmo de catástrofes e doenças. Para muitas pessoas, mais do que isso: é a única poupança possível diante de um salário que basta apenas para arcar com os gastos do mês. E, de uma forma geral, é o FGTS que auxilia muitas famílias a conquistarem a casa própria, além de impulsionar obras de infraestrutura. De poupança do trabalhador a fonte de recursos para o sistema habitacional, o fundo é de uma importância incontestável, mas não tem representado apenas ganhos. Pelo contrário, os debates mais recentes sobre o FGTS destacam justamente perdas bilionárias.
O FGTS é a soma de todos os depósitos feitos, mensalmente, pelas empresas, que depositam 8% do salário de cada funcionário na respectiva conta no fundo. Esses valores são reajustados pela Taxa Referencial (TR) mais 3% ao ano. A TR, que no passado já representou rentabilidade acima da inflação, está com percentual estagnado em patamares próximos de zero. Com a inflação acima dos 6%, o saldo na conta dos cotistas do fundo (os trabalhadores) tem perdido rentabilidade, com ganhos abaixo da poupança.
Apenas neste ano, a diferença entre a TR e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), medido pelo IBGE para estabelecer os juros aplicados ao comprador, representa uma perda financeira de R$ 27 bilhões, segundo estudo do Instituto FGTS Fácil. Esse é o valor a mais que deveria ter sido repassado aos cotistas se o reajuste do saldo tivesse acompanhado a inflação entre janeiro e dezembro deste ano, segundo a projeção. Se calculadas as perdas 0  sofridas desde dezembro de 2002 até dezembro de 2013, R$ 160 bilhões deixaram de ser creditados para os trabalhadores em função da diferença entre TR e INPC. A perda, no entanto, aplica-se apenas ao saldo do trabalhador, já que a rentabilidade do FGTS, como um todo, tem ficado acima da inflação.
Segundo avaliação do Dieese, “o desempenho do FGTS tem se mostrado crescente nos últimos anos, beneficiando-se da conjuntura econômica que tem como marca um expressivo crescimento do emprego formalizado e do rendimento médio da população. Também as aplicações do fundo têm apresentado resultados superiores aos destinados aos cotistas, bem como têm suplantado os resultados do INPC na última década”. Em nota técnica emitida em junho deste ano, o Dieese recorre ao estudo elaborado pela Consultoria Legislativa do Senado para expor, a partir do INPC, qual foi o retorno obtido pelo FGTS e qual foi o rendimento pago aos cotistas do FGTS. Em 2003, por exemplo, o INPC foi de 10,38%, já o retorno do FGTS foi de 14,6%, enquanto o dos trabalhadores foi de 7,6%.
No ano passado, o fundo registrou lucro líquido de R$ 14,3 bilhões. Entre os cinco maiores lucros líquidos do País em 2012, o FGTS ficou em segundo lugar, perdendo apenas para a Petrobras, com R$ 16,2 bilhões. O conflito é evidente: o debate está centrado em definir se parte desse lucro é devido aos trabalhadores, ao menos para repor as perdas inflacionárias. Há argumentos, baseados no caráter institucional do FGTS, que contradizem essa lógica, justificando os benefícios sociais promovidos pelo fundo. No meio da polêmica, a única certeza, que ninguém refuta, é a de que, de fato, o saldo do trabalhador no FGTS tem sofrido desvalorizações contínuas.

Juízes destacam caráter institucional do Fundo

A primeira ação movida contra a Caixa Econômica Federal, proposta pelo aposentado carioca Jacob Kutwak, em 2009, foi julgada improcedente em primeira instância, mas os advogados vêm recorrendo da decisão. Essa situação se repete em outras regiões do País. Tentando reverter perdas do FGTS, mais de 5 mil ações são movidas contra a Caixa apenas no Rio Grande do Sul. Segundo o juiz federal Marcelo De Nardi todas as ações têm sido consideradas improcedentes, já que os quatro juízes federais do Estado julgaram um caso, tendo a permissão de reportar aos demais o mesmo entendimento.
Embora a discussão ainda tenha que ser ampliada, os juízes usaram como argumento central que o FGTS não é uma propriedade individual do trabalhador, como uma caderneta de poupança, e sim um fundo institucional, dado o contexto social do benefício. “A questão é muito nova e não há como dar certeza de que vai se conduzir de um lado para o outro. A convicção hoje é de que não é devido”, explica De Nardi, lembrando que os entendimentos podem ser revistos no futuro.
As ações julgadas improcedentes podem ir para outras instâncias. Quando esgotadas todas as possibilidades, o último recurso é recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), cujo parecer passa a vigorar para todas as causas. Em virtude dos trâmites longos e complexos, De Nardi orienta para a importância de escolher bem o advogado que conduzirá a causa, buscando uma pessoa de confiança e que possa representar e dar retorno ao cliente em todas as etapas do processo.

Passo a passo

  • Quem tem direito a pedir reembolso das perdas? Todo trabalhador com carteira assinada e valores depositados nas contas do FGTS entre 1999 e 2013. A regra vale tanto para quem tem conta ativa quanto inativa, ou seja, mesmo que tenha retirado o saldo por desligamento da empresa ou para usá-lo em qualquer uma das condições definidas pela Caixa, como compra de imóvel, doença, etc. Aposentados também podem requerer a diferença relativa ao tempo trabalhado, desde que compreendido entre 1999 e 2013.
  • Como é feito o cálculo dos valores? De acordo com o período em que o trabalhador teve valores depositados na conta do FGTS, é avaliado se os depósitos foram feitos entre 1999 e 2013, período em que a TR tem rendido abaixo da inflação. Em cima desses valores, é feito o cálculo de quanto deveria ter rendido o FGTS caso fosse reajustado com base no INPC. A diferença entre os dois valores (o recebido e o que deveria ter sido recebido em caso de rendimento de acordo com a inflação) vai ser o valor requerido pelo processo.
  • Quais são os documentos necessários? O trabalhador precisa de RG, CPF, carteira de trabalho e extrato do FGTS (de todas as contas, ou seja, relativo a cada empresa em que trabalhou). O extrato é solicitado gratuitamente em qualquer agência da Caixa Econômica Federal e o prazo para entrega do extrato é de cinco dias úteis. A advogada Nara de Oliveira esclarece que, como a demanda tem sido grande, é possível que haja demora na entrega do documento, exigindo, muitas vezes, que o extrato seja requisitado judicialmente.
  • É melhor entrar com ação individual ou coletiva? Em geral, a ação coletiva onera menos o trabalhador e vale a pena para quem tem um saldo pequeno a receber. Por outro lado, na ação individual, o advogado dedica-se apenas à solicitação referente aquele cliente. Em cada uma das opções, no entanto, é preciso avaliar bem o advogado que está sendo contratado.
  • As empresas serão oneradas? Inicialmente, não. Como a gestão do FGTS é feita pela Caixa Econômica Federal, é ela quem deve ser acionada, no entanto, um parecer judicial positivo em relação às ações pode levar aos questionamentos futuros referentes ao pagamento de 40% da multa sobre o saldo do FGTS. Mas as ações estão sendo movidas contra a Caixa.

Perdas precisam ser avaliadas a partir dos extratos da conta

De acordo com o presidente do Instituto FGTS Fácil, Mario Avelino, o primeiro processo contra a Caixa Econômica Federal, para reaver perdas resultantes da aplicação da TR ao FGTS foi encaminhado para 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro em fevereiro de 2009. O proponente, o aposentado Jacob Kutwak, reclama a perda de mais de R$ 18 mil entre dezembro de 2002 e fevereiro de 2009. Avelino explica que tem usado como base o mês de dezembro de 2002 como inicial para a cobrança, porque até 1999 a TR rendia um valor superior, superando, inclusive, a inflação. Quando a TR passou a render menos, esse resíduo a mais foi compensado gradativamente, ficando zerado apenas em dezembro de 2012. Depois disso, só perdas.
O cálculo básico que tem sido feito pelos advogados e sindicatos para tentar reverter as perdas é a diferença entre o que foi depositado na conta do FGTS (com rendimentos da TR mais 3% ao ano) e o INPC.  A advogada e contadora Nara de Oliveira conduz 400 ações no Rio Grande do Sul e orienta que cada caso é um caso. Nara tem considerado as perdas a partir de 1999, mas é preciso saber quanto tempo de trabalho com carteira assinada o trabalhador tem e quanto foi depositado nesse período para poder apurar o saldo que será pleiteado.
“É fundamental ter o extrato do saldo do FGTS para saber quais seriam os valores devidos para o trabalhador”, afirma Nara. O saldo varia de acordo com o salário, já que os depósitos feitos pelas empresas em nome do funcionário são referentes a 8% do vencimento. Quem tem pouco tempo de carteira assinada, dentro do período de baixa rentabilidade da TR, tem um saldo menor a receber, e quem teve rendimentos muito baixos está na mesma situação.

Trabalhador perdeu mais de 67% para a inflação

Com base nas taxas da TR e do INPC, o Instituto FGTS Fácil calcula que o trabalhador com saldo no Fundo perdeu 67,76% para a inflação. Esse é o percentual que distancia a TR, aplicada aos saldos da conta, do INPC, que mede a inflação ao consumidor, apurado entre dezembro de 2002 e dezembro de 2013, segundo o estudo inédito. Em dinheiro, a quantia chega a R$ 160 bilhões no período. 

“São  inquestionáveis os benefícios gerados pelo FGTS à população, principalmente de baixa renda, com os investimentos em habitação popular, saneamento básico e infraestrutura urbana, como também à economia nacional e à geração de empregos”, ressalta Mario Avelino, presidente do Instituto FGTS Fácil. Avelino pondera, no entanto, que “não é justo que haja uma política que confisca os rendimentos dessa poupança, chegando ao ponto de o trabalhador pagar imposto sobre o FGTS em função da desvalorização gerada através da manipulação do cálculo da TR gerada pelo Banco Central do Brasil”. 

Para o presidente do instituto, o único a perder com o atual cenário é o cotista do fundo. O governo, assim como os empresários, justifica, estão sendo beneficiados com o baixo índice de reajuste do FGTS. Enquanto o rendimento do fundo deixa de ser distribuído entre os trabalhadores, as empresas, quando demitem o funcionário sem justa causa, pagam a multa de 50% sobre o saldo do FGTS, também obtendo vantagens. De acordo com estudo do instituto, somando a diferença da inflação entre dezembro de 2002 e dezembro de 2013 (R$ 160 bilhões) com o valor que deixou de ser pago aos trabalhadores em multas por demissão (R$ 39,7 bilhões), o total de perdas no período chega a R$ 199,7 bilhões.

As ações movidas atualmente para reverter perdas têm sido direcionadas à Caixa Econômica Federal por ser a gestora do Fundo. Inicialmente, as empresas não estão sendo envolvidas nos processos, até porque o tempo de prescrição para processo contra empresas é menor, explica Avelino. 

Para calcular as perdas individuais, o Instituto FGTS Fácil criou um site que permite calcular, sem qualquer custo, as perdas do período e acompanhar a atualização do saldo, inclusive com os valores de perdas, que podem ser impressos para serem anexados às ações judiciais. Na página www.fgtsfacil.org.br, é possível criar o cadastro e obter informações sobre como inserir os dados. É necessário ter o extrato do FGTS para inserir os valores corretamente. 

Mudanças no FGTS  teriam impacto no sistema financeiro habitacional

Diante do impasse sobre a baixa rentabilidade do FGTS, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) prega um discurso de cautela em relação ao ingresso de ações no Judiciário. Segundo Sérgio Nobre, secretário-geral da CUT, a orientação para as regionais e os sindicatos tem sido a de que cada uma avalie se vale a pena ou não ingressar com ações coletivas, considerando o fato de que muitas categorias com rendimentos baixos teriam direito a um valor pequeno de ressarcimento. Outro ponto que precisa ser debatido é a questão do financiamento habitacional, que, assim como o FGTS, também é reajustado pela TR. “Temos que encontrar uma forma de preservar os ganhos do trabalhador, mas também tomar cuidado”, afirma. 

A CUT estuda a questão e vai levá-la para mesas de negociações com o governo. “Para nós, o importante, mais do que as ações, é fazer um acordo sobre o tema. A correção em alguns anos tem ficado abaixo da inflação, o que é muito prejudicial. O ideal seria uma mesa de negociação com o governo, porque o caminho da Justiça é lento e muitas vezes contraditório”, explica Nobre. Segundo a Caixa Econômica Federal, a substituição da TR pelo INPC para reajuste do FGTS também passaria a ser aplicada aos mutuários com imóveis financiados com recursos do Fundo.

Em nota, a Caixa esclarece que “tem cumprido, integralmente, o que determina a legislação” e que “a substituição da TR por outro índice levará automaticamente à atribuição destes mesmos índices aos contratos firmados pelo FGTS”. Assim, o ganho de rentabilidade do saldo no fundo resultaria em perda por outro lado, impactando sobre o Sistema Financeiro da Habitação.

Para o presidente do Instituto FGTS Fácil, Mario Avelino, é preciso buscar um equilíbrio. “Não discuto o benefício social do Fundo, graças a ele, milhões de pessoas têm acesso à casa própria. Discuto a manipulação do índice.” Avelino propõe que o saldo dos cotistas no FGTS seja reajustado pela TR, acrescido, anualmente, de 4,5% de juros. Além disso, ele defende a distribuição de 50% dos lucros do Fundo para os trabalhadores. 

Fundo não é apenas um patrimônio individual, argumenta economista

Se, por um lado, o saldo das contas dos trabalhadores no FGTS está perdendo rentabilidade, por outro, a sociedade é beneficiada com os índices aplicados, destaca o economista Fernando Nogueira da Costa, professor da Unicamp e ex-vice-presidente de investimentos da Caixa Econômica Federal.  “O FGTS é um patrimônio dos trabalhadores, entretanto, esse patrimônio é também deles enquanto classe social. Essa possibilidade de recurso para aquisição da casa própria tem duas dimensões: individualmente, alguém pode recorrer ao Fundo para pagar parte das prestações, mas há a necessidade de uma consciência coletiva, porque esses recursos geram o que chamamos de funding, que é fonte de financiamento ao combate do déficit habitacional”, explica. 

Para o economista, é impossível observar o contexto apenas do ponto de vista individual. “Estima-se que um quinto das residências do Brasil são adquiridas com financiamento habitacional. Aí está a importância do fundo. Toda análise tem que ter essa consciência social.” No entanto, Costa não refuta a base das queixas. “Se considerarmos o FGTS como uma aplicação individual, os trabalhadores almejam, é racional, que a aplicação deles esteja ao menos protegida da inflação, principalmente em longo prazo”, afirma. 

Mas como a regra é que a correção seja de 3% de juros mais a TR, que é um valor muito baixo, isso dá cerca de metade da correção da inflação, calcula. “Está havendo uma perda real, ao longo do tempo. A contrapartida é que se consegue manter o financiamento da camada de baixa renda para compra da casa própria, muitas vezes inferior à inflação. Fica esse conflito de interesse”.

Uma distinção importante, ressalta o economista, é diferenciar o entendimento do STF em relação aos precatórios do FGTS. Costa esclarece que os precatórios são um dinheiro devido ao indivíduo e que, por conta do atraso e do reajuste pela TR, era desvalorizado com o passar do tempo. Já o Fundo tem conotação diferente, é um direito do trabalhador, mas segue uma regra específica e tem uma finalidade diferente dos precatórios. 

Viatura do Ronda capota e deixa policial em estado grave


Na tarde desse domingo 24/11 por volta das 13h30min na Rodovia Estadual CE-265 que liga o município de Ibicuitinga a cidade de Morada Nova, aconteceu um acidente de transito com uma viatura do Ronda do Quarteirão
da cidade de Morada Nova que veio a capota, Na viatura vinham dois policiais militares o Sd F Silva E O Sd Oziel apos o acidente eles foram socorridos e levados para o hospital de morada nova, Sd F Sousa sofreu ferimentos leves e não corre risco, já o Sd Oziel Se encontra em estado grave segundo informações Oziel sofreu politraumatismo,Traumatismo Cranio Encefálico, O Policial sera transferido para fortaleza em um helicóptero do CIOPAER que já se encontra na cidade de Morada Nova e pode sair a qualquer momento.
Hoje é o dia do aniversario do soldado Oziel o seu estado de saudê e considerado grave, nós que fazemos o Limoeiro Plantão Policial e os amigos do Ronda Limoeiro que nos ajudam diariamente estamos rezando e torcendo pela saudê do militar
Fonte: Portal Limoeiro Plantão Policial

Leucemia faz sua terceira vítima em Tauá em menos de 6 meses. Estudante de 15 anos morre em Fortaleza


A comunidade tauaense está chocada com a informação da morte de jovem estudante tauaense Amanda Xavier, de apenas 15 anos de idade, filha do casal, Antonino Xavier e D. Eurimar.
A jovem passou mal na manhã da última segunda-feira, 18, foi levada para o Hospital Dr. Alberto Feitosa Lima e transferida imediatamente para Fortaleza onde estava internada na UTI do Hospital Albert Sabin. Rapidamente o quadro clínico de Amanda evoluiu para um estado grave em virtude das hemorragias internas que sofreu e infelizmente, ela não resistiu e veio a óbito na manhã deste sábado, 23.
A causa da morte foi leucemia.
O velório acontecerá no prédio da Associação Comercial de Tauá, na Avenida Cel. Vicente Alexandrino de Souza, no Bairro Tauazinho, a partir das 17h deste sábado, 23, e sepultamento está marcado para às 8h da manhã deste domingo, 24, no Cemitério São Judas Tadeu, em Tauá
Terceiro óbito em um menos de 6 meses
A morte de Amanda configura o terceiro caso de leucemia registrado em Tauá, em menos de 6 meses.
No dia 27 de junho de 2013, a adolescente Sarah Gomes, 17 anos, filha do servidor do DER, Pelé e D. Edilene, morreu vítima da doença e foi sepultada no dia seguinte no Cemitério de Tauá. Dois dias depois, faleceu no Hospital de Tauá, a Agente de Cidadania de Tauá, Francisca Ecília Cartaxo.  
A reportagem está apurando o registro de mais um caso de leucemia envolvendo um jovem do interior do Município de Tauá, que teria sido transferido para Fortaleza há poucos dias. Na mesma família, há cerca de um ano atrás, uma irmã desse jovem, teria falecido vítima da mesma doença.
Saiba mais sobre a doença
Leucemia
O que é?
A leucemia é uma doença maligna dos glóbulos brancos (leucócitos), geralmente, de origem desconhecida. Tem como principal característica o acúmulo de células jovens anormais na medula óssea, que substituem as células sanguíneas normais. A medula é o local de formação das células sanguíneas e ocupa a cavidade dos ossos, sendo popularmente conhecida por tutano. Nela são encontradas as células que dão origem aos glóbulos brancos, aos glóbulos vermelhos (hemácias ou eritrócitos) e às plaquetas.
Estimativas de novos casos: 8.510, sendo 4.570 homens e 3.940 mulheres (2012)
Número de mortes: 5.935, sendo 3.202 homens e 2.733 mulheres (2010)
Subtipos
As leucemias podem ser agrupadas com base em quão rapidamente a doença evolui e torna-se grave.  Sob esse aspecto, a doença pode ser do tipo crônica (que geralmente agrava-se lentamente) ou aguda (que geralmente agrava-se rapidamente): 
· Crônica: No início da doença, as células leucêmicas ainda conseguem fazer algum trabalho dos glóbulos brancos normais. Médicos geralmente descobrem a doença durante exame de sangue de rotina. Lentamente, a leucemia crônica se agrava. À medida que o número de células leucêmicas aumenta, aparecem inchaço nos linfonodos (ínguas) ou infecções. Quando surgem, os sintomas são brandos, agravando-se gradualmente. 
· Aguda: As células leucêmicas não podem fazer nenhum trabalho das células sanguíneas normais. O número de células leucêmicas cresce rapidamente e a doença agrava-se num curto intervalo de tempo.
As leucemias também podem ser agrupadas baseando-se nos tipos de glóbulos brancos que elas afetam: linfoides ou mieloides. As que afetam as células linfoides são chamadas de linfoide, linfocítica ou linfoblástica. A leucemia que afeta as células mieloides são chamadas mieloide ou mieloblástica.
Combinando as duas classificações, existem quatro tipos mais comuns de leucemia: 
· Leucemia linfoide crônica: afeta células linfoides e se desenvolve vagarosamente. A maioria das pessoas diagnosticadas com esse tipo da doença tem mais de 55 anos. Raramente afeta crianças.  
· Leucemia mieloide crônica: afeta células mieloides e se desenvolve vagarosamente, a princípio. Acomete principalmente adultos.  
· Leucemia linfoide aguda: afeta células linfoides e agrava-se rapidamente. É o tipo mais comum em crianças pequenas, mas também ocorre em adultos.  
· Leucemia mieloide aguda: afeta as células mieloides e avança rapidamente. Ocorre tanto em adultos como em crianças.
 Prevenção
As causas da leucemia ainda não estão definidas, mas, suspeita-se da associação entre determinados fatores com o risco aumentado de desenvolver alguns tipos específicos:
· Tabagismo: leucemia mieloide aguda
· Radiação (radioterapia, raios X): leucemia mieloide aguda e crônica e leucemia lifoide aguda
· Síndrome de Down e outras doenças hereditárias: leucemia aguda
· Benzeno (encontrado na fumaça do cigarro, gasolina e largamente usado na indústria química): leucemia mieloide aguda e crônica, leucemia linfoide aguda 
· Quimioterapia (algumas classes de drogas): leucemia mieloide aguda e leucemia linfoide aguda 
· Síndrome mielodisplásica e outras desordens sanguíneas: leucemia mieloide aguda
Diagnóstico
Na análise laboratorial, o hemograma (exame de sangue) estará alterado, porém, o diagnóstico é confirmado no exame da medula óssea (mielograma). Nesse exame, retira-se menos de um mililitro do material esponjoso de dentro do osso e examina-se as células ali encontradas.
Sintomas
Os principais sintomas decorrem do acúmulo de células defeituosas na medula óssea, prejudicando ou impedindo a produção dos glóbulos vermelhos (causando anemia, que por sua vez causa fadiga e palpitação), dos glóbulos brancos (deixando o organismo mais sujeito a infecções) e das plaquetas (ocasionando sangramentos das gengivas e pelo nariz, manchas roxas na pele ou pontos vermelhos sob a pele).
O paciente pode apresentar gânglios linfáticos inchados, mas sem dor, principalmente na região do pescoço e das axilas; febre ou suores noturnos; perda de peso sem motivo aparente; desconforto abdominal (provocado pelo inchaço do baço ou fígado); dores nos ossos e nas articulações. Caso a doença afete o Sistema Nervoso Central (SNC), podem surgir dores de cabeça, náuseas, vômitos, visão dupla e desorientação.
Depois de instalada, a doença progride rapidamente, exigindo que o tratamento seja iniciado logo após o diagnóstico e a classificação da leucemia.
O tratamento é feito em etapas. A primeira tem a finalidade de obter a remissão completa, ou seja, um estado de aparente normalidade após a poliquimioterapia. Esse resultado é alcançado um a dois meses após o início do tratamento (fase de indução de remissão), quando os exames (de sangue e da medula óssea) não mais evidenciam células anormais.

Entretanto, pesquisas comprovam que ainda restam no organismo muitas células leucêmicas (doença residual), o que obriga a continuação do tratamento para não haver recaída. Nas etapas seguintes, o tratamento varia de acordo com o tipo de célula afetada pela leucemia. Nas linfoides, pode durar mais de dois anos, e nas mieloides, menos de um ano. São três fases: consolidação (tratamento intensivo com substâncias não empregadas anteriormente); reindução (repetição dos medicamentos usados na fase de indução da remissão) e manutenção (o tratamento é mais brando e contínuo por vários meses). Por ser uma poliquimioterapia agressiva, pode ser necessária a internação do paciente nos casos de infecção decorrente da queda dos glóbulos brancos normais pelo próprio tratamento.

Fonte: Instituto Nacional do Câncer

ANÍBAL AMEAÇA PROCESSAR CARDOZO: "E HUM SONSO"

PAULO NOGUEIRA: PSDB SE TORNOU A NOVA UDN

domingo, 24 de novembro de 2013

Veja mulher com 'pênis' e outros pacientes chocados após cirurgias


Mulher acorda com 'pênis'
Após perder mais de 60 kg depois de realizar uma cirurgia de redução de estômago, a britânica Helena Barret, de 38 anos, ficou chocada ao descobrir que uma sobra de pele entre suas pernas parecia um pênis, fazendo seus amigos pensarem que a mulher havia passado por uma cirurgia de mudança de sexo.

Helena Barret ficou com sobra de pele acima do osso pubiano, o que dava a impressão de que a britânica tinha um pênis (Foto: Caters News)Helena Barret ficou com sobra de pele acima do osso pubiano, o que dava a impressão de que a britânica tinha um pênis (Foto: Caters News)
Lápis no cérebro
Um jovem afegão de 24 anos que se queixava de dores de cabeça surpreendeu médicos alemães que descobriram que ele vivia há 15 anos com um lápis encravado em sua cabeça, causando diversos problemas de saúde ao rapaz.

Lápis com 7 cm de comprimento foi retirado do cérebro de jovem após 15 anos (Foto: University Clinc Rwth Aachen / AFP)Lápis com 7 cm de comprimento foi retirado do cérebro de jovem após 15 anos (Foto: University Clinc Rwth Aachen / AFP)
Pena na garganta
No fim de 2012, os pais de Mya Whittington, de apenas seis meses, ficaram chocados aos descobrirem que uma ponta estranha que parecia ser uma espinha comum era, na verdade, uma pena que estava alojada dentro da garganta da menina.

Inchaço que parecia espinha era, na verdade, ocasionado por uma pena (Foto: Travis Morisse/AP)Inchaço que parecia espinha era, na verdade, ocasionado por uma pena (Foto: Travis Morisse/AP)
Bumbum 'invertido'
Em novembro de 2012, uma mulher publicou um vídeo na internet no qual mostra o defeito de sua prótese de silicone colocada no bumbum. A paciente consegue girar a prótese, deixando seu bumbum com aparência de "deformado"

Mulher ficou com bumbum 'deformado' após silicone sair do lugar (Foto: Reprodução/YouTube/)Mulher ficou com bumbum 'deformado' após silicone sair do lugar (Foto: Reprodução/YouTube/)
'Tesoura' esquecida'
Após sentir dores abdominais, o paquistanês Safdar Ali Shah, de 36 anos, descobriu em abril de 2012 que tinha uma "tesoura" em seu corpo, deixada por uma equipe médica durante uma cirurgia que ele havia se submetido nas costas em 2000. A pinça hemostática permaneceu 12 anos no organismo de Shah.

Safdar Ali Shah, de 36 anos, exibe raio-X que mostra a pinça em seu corpo. (Foto: Akhtar Soomro/Reuters)Safdar Ali Shah, de 36 anos, exibe raio-X que mostra a pinça em seu corpo. (Foto: Akhtar Soomro/Reuters)
Agulha na cabeça
A chinesa Zhou Chaozheng, que mora na província de Hunan, foi surpreendida ao descobrir no início de 2010 que uma agulha de 2,5 centímetros estava há 20 anos encravada em sua cabeça. Os médicos estimam que Zhou encravou o objeto quando tinha apenas um ano de idade.

Imagem de raio-X mostra uma agulha de 2,5 centímetros que ficou por 20 anos encravada na cabeça da chinesa Zhou Chaozheng, que mora na província de Hunan. Ela passou por uma cirurgia em outubro de 2010 após começar a sentir dores de cabeça depois de dar à (Foto: Getty Images)Imagem de raio-X mostra uma agulha de 2,5 centímetros que ficou por 20 anos encravada na cabeça da chinesa Zhou Chaozheng, que mora na província de Hunan. Ela passou por uma cirurgia em outubro de 2010 após começar a sentir dores de cabeça depois de dar à (Foto: Getty Images)
Plástico no pulmão
O norte-americano John Manley, de 50 anos, descobriu em setembro de 2009 que o motivo pelo qual tinha crises de tosse, cansaço e uma pneumonia que o fragilizou por dois anos era um pedaço de plástico que havia sido inalado pelo homem, provavelmente enquanto tomava uma bebida

Em 2009, os médicos retiraram um pedaço de plástico de três centímetros do pulmão esquerdo do norte-americano John Manley, que sofria com crises de tosse. Ele teria inalado o objeto havia dois anos (Foto: AP)Médicos retiraram um pedaço de plástico de três centímetros do pulmão esquerdo do norte-americano John Manley, que sofria com crises de tosse (Foto: AP)
Pedra de 1,125 kg no rim
Incrédulo, o húngaro Sandor Sarkadi observou, ao lado da esposa, uma pedra de 1,125 kg retirada de seu rim em janeiro de 2009. Cirurgia aconteceu no hospital Kenez Gyula, em Debrecen.

Em 2009, médicos do hospital Kenez Gyula, em Debrecen (Hungria), retiraram uma pedra de 1,125 quilo e 17 centímetros de diâmetro do rim do paciente Sandor Sarkadi. (Foto: MTI,Tibor Olah/AP)A urologista Judit Csorba, do hospital Kenez Gyula, em Debrecen (Hungria), segura pedra de 1,125 quilo e 17 centímetros de diâmetro retirada do rim do paciente Sandor Sarkadi. (Foto: MTI,Tibor Olah/AP)

"Jamais deixarei a luta política"


Em entrevista à ISTOÉ, José Genoino fala sobre os momentos na cadeia. Com problemas de saúde, o deputado deve cumprir o restante da sentença em casa

Paulo Moreira Leite
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PRESÍDIO DA PAPUDA, QUINTA-FEIRA, 21 DE NOVEMBRO
O deputado José Genoino recebe suas primeiras visitas no cárcere
Levado às pressas para o Incor de Brasília, na tarde da quinta-feira 21, José Genoino recebeu duas notícias ao mesmo tempo. A primeira veio dos médicos. Ao contrário do que se temia no início, ele não havia sofrido um infarto do miocárdio. Enfrentava uma nova crise de pressão alta, igualmente preocupante, mas previsível num paciente em sua condição. A segunda novidade veio do Supremo Tribunal Federal. Como o próprio Genoino, seus advogados e a procuradora-geral da República em exercício, Ella Wiecko, solicitavam desde a segunda-feira 18, o ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF, concordou com o pedido de mudar seu regime prisional.
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Em vez de cumprir seis anos e sete meses de pena em regime semiaberto, como ficou definido no julgamento da Ação Penal 470, Genoino foi autorizado a mudar-se para o regime de prisão chamado “domiciliar ou hospitalar”, considerado compatível com um estado de saúde classificado como “grave” ou “ gravíssimo” por todos os médicos que o examinaram nos últimos dias. Com a mudança, deixará de ser obrigado a dormir todas as noites na cela de uma prisão, com direito a sair apenas para trabalhar durante o dia, passando a viver internado num hospital ou mesmo em casa. Joaquim Barbosa fez questão de ressalvar que sua decisão tem caráter “provisório”, esclarecendo que irá aguardar um novo laudo – o quarto em cinco dias – para anunciar uma resolução definitiva. Ao ser informado da mudança, Genoino reagiu em tom de alívio: “Então quer dizer que não vou voltar para a Papuda?”, perguntou à mulher, Rioko, referindo-se ao presídio de Brasília onde se encontrava internado desde o sábado 16. Horas antes de se dirigir ao Incor, ainda na Papuda, Genoino concedeu entrevista exclusiva à ISTOÉ, quando falou do drama de sua terceira prisão. “(Quando entrei na prisão) Vieram à minha cabeça imagens terríveis de quando fui preso durante a ditadura. Depois de uma viagem de um dia inteiro, totalmente desnecessária, ficamos quatro horas em um pátio porque não sabiam onde nos colocar. Se não sabiam onde nos colocar, por que nos fizeram viajar?”, questionou.
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Num país que acompanhava com apreensão a evolução da saúde de Genoino desde a noite da sexta-feira 15, quando ele se apresentou de punho erguido à sede da Polícia Federal, em São Paulo, numa cena que marcou o início das prisões de uma primeira leva de 11 condenados na Ação Penal 470, a decisão de Barbosa teve caráter reconfortante. Não deve ser vista, porém, como sinal de que a condenação tenha sido amenizada. A pena continua igual. A menos que, como outros condenados, Genoino consiga livrar-se da condenação por “formação de quadrilha” no julgamento do STF sobre embargos infringentes, sua situação legal será a mesma de antes.
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O novo regime de prisão é fruto da compreensão de que, diante de seu estado de saúde, as razões da medicina deveriam orientar a letra fria do Direito, pois uma vida humana estava em jogo. Fumante inveterado a ponto de consumir três maços de cigarro por dia até quatro meses atrás, hipertenso que há muitos anos toma medicamento para controlar o mal, Genoino em julho foi vítima de uma dissecção da aorta, patologia que costuma produzir hemorragias graves, infarto e acidente vascular cerebral. Depois de uma cirurgia de oito horas, saiu do Sírio Libanês com uma prótese de 15 cm no tórax para substituir uma parte da aorta. “Nesta situação, é  preciso que o paciente tenha sua pressão arterial mantida nos níveis adequados”, explica o cardiologista Ricardo Miguel, da Sociedade de Cardiologia do Rio de Janeiro. Lembrando que a rotina da prisão pode “desencadear picos de hipertensão, que podem produzir um novo rompimento da aorta”, Ricardo Miguel acredita que “a melhor coisa para um paciente como ele é ficar em casa.” Com pequenas variações, um diagnóstico semelhante foi firmado por Roberto Kalil e Fabio Jatene, dois dos maiores cardiologistas do país, que atenderam Genoino no Sírio, e por Fábio Daniel, que o examinou, a pedido na família, a uma da madrugada de sábado, em Brasília. Os laudos deixaram claro que o deputado era um prisioneiro de risco – e a ninguém interessava a ocorrência de uma tragédia de conseqüências políticas imprevisíveis.
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 Verdadeira exceção numa sociedade polarizada e dividida, onde grande parte da população tem ojeriza por políticos profissionais, Genoino é um parlamentar de sete mandatos que colecionou um número imenso de admiradores nas várias fatias do espectro político, sejam aliados, sejam inimigos. O deputado do PT foi condenado a 6 anos e 11 meses de prisão, em regime semiaberto, por corrupção ativa e formação de quadrilha. Durante o julgamento do mensalão, três ministros que votaram por sua condenação – por ter, como presidente do PT, avalizado os empréstimos fictícios dos bancos BMG e Rural ao PT e participado de reuniões com dirigentes de partidos aliados em que se tratou de apoio político ao governo Lula em troca de vantagens financeiras – não deixaram de ressalvar o caráter admirável de Genoino e sua biografia com tantas passagens exemplares. Assinado por unanimidades da literatura, como Antonio Candido, e da música, como Chico Buarque, circula pela internet, com apoio de 11 000 pessoas, um abaixo-assinado que diz que “José Genoino é um homem honesto, digno, no qual confiamos. José Genoino traduz a história de toda uma geração que ousa sonhar com liberdade, justiça e pão.” 

Durante a semana, criticada pelos militantes do PT por manter um silêncio absoluto em relação ao destino dos condenados da Ação Penal 470, a presidenta Dilma Rousseff demonstrou preocupação com a saúde de Genoino por “razões humanitárias.” Na verdade, a presidenta tem uma afeição pessoal pelo deputado e por Rioko, guerrilheira do PC do B como o marido, quando as duas ficaram presas sob a ditadura militar. Quando, em função  da ação penal 470, Genoino deixou o posto de assessor especial no ministério da Defesa, Dilma fez questão de receber o casal num jantar, no Alvorada. “É claro que a presidente se importa com o destino e o estado de vários condenados” afirma um assessor do Planalto. “Mas ela tem uma ligação com Genoino”, reforçou.
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A melhor explicação para uma admiração com origens tão diversas encontra-se, provavelmente, numa ladeira no bairro paulistano do Butantã, endereço do maior patrimônio material do deputado. É um sobrado germinado, em formato de salsicha, comprado há três décadas com financiamento-padrão da Caixa Econômica. Os móveis são simples, mas acolhedores e confortáveis. O índice de luxo é zero e foi ali que o dono da casa criou um filho, uma filha. Uma outra filha de Genoino, nascida de uma relação fora do casamento, sempre morou com a mãe, em Brasília. De correspondentes estrangeiros a prestadores de pequenos serviços, todos visitantes se surpreendem ao descobrir a identidade do dono da casa. “Pensei que deputado só morava em mansão,” admitiu um funcionário de uma empresa de TV a cabo que, em função de uma política permanente de contenção de todas despesas que podem ser eliminadas, fora chamado para desinstalar um ponto num quarto que a primogênita Miruna desocupou quando foi passar uma temporada na Espanha.

Normalmente, Genoino mostra-se constrangido quando o interlocutor ameaça fazer um elogio que no fundo é um diminutivo – falar bem de um sujeito pelo simples fato dele não ter-se tornado ladrão. Considera-se um lutador da política. “Jamais deixarei a luta política. Posso ter que mudar a forma, o local e o uniforme, mas o sentido da minha vida é lutar por sonhos e causas. Nunca lutei por questões pessoais”, disse à ISTOÉ. Sempre atuou à esquerda. Deixou a guerrilha do Araguaia fazendo a autocrítica da luta armada. Tornou-se um dos cérebros do Partido Revolucionário Comunista, uma organização efêmera, em sua existência, mas duradoura em militantes que fizeram boa história – como o governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro e a ex-ministra e adversária Marina Silva, o mártir da ecologia Chico Mendes. Mas na década de 1990 andava tão moderado entre os petistas que sentia-se mais à vontade para dialogar com estrelas do PSDB, inclusive o presidente Fernando Henrique Cardoso, e Luiz Eduardo Magalhães, nome em ascensão no PFL baiano até ser derrubado por um infarto fulminante.  
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Incapaz de longas caminhadas, sem fôlego para a mesma oratória do passado, dias depois de deixar a mesa de cirurgia Genoino entrou com pedido de aposentadoria no Congresso, iniciativa que deu início a uma corrida contra o tempo nos bastidores de Brasília. Interessado em preservar seus direitos como parlamentar, Genoino quer aprovar a aposentadoria o quanto antes, encerrando a carreira no mesmo instante. Em busca de medidas que ajudam a agradar as ruas em ano pré-eleitoral, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, quer votar a cassação dos parlamentares condenados pelo mensalão em prazo recorde. Se isso ocorrer, e Genoino for cassado, perderá o mandato e os direitos acumulados na carreira.  
fotos: Roberto Castro/Ag. ISTOé; reprodução ag. o globo
fotos: Bruno Peres/CB; ANDRE COELHO/Ag. O Globo