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sexta-feira, 7 de março de 2014

Ele está de volta


Maracana_
Campanha publicitária de empresa de material esportivo exibiu, em 2013, passagem inusitada do Fantasma de 1950 pelo Rio de Janeiro
FOTO: DIVULGAÇÃO/PUMA
‘Fantasma’ de 1950 é tema de mais um documentário sobre a mística da seleção uruguaia no Brasil

Um documentário chamado “Maracanã” estreia na semana que vem no Uruguai, relembrando o episódio que é até hoje o maior orgulho do futebol do país, a vitória da “Celeste” sobre o Brasil na decisão da Copa do Mundo de 1950.

Não é por acaso que o filme chega às telas justamente a três meses de outro Mundial disputado em terras brasileiras.

Depois de divertir com uma bem-humorada campanha publicitária em que o “fantasma” de 1950 invade o Rio de Janeiro, os uruguaios terão agora a oportunidade de reviver as glórias do passado em forma de aquecimento para a competição.

A pré-estreia será em 12 de março no estádio Centenário de Montevidéu. “’Maracanã’ é uma trama que tem uma leitura histórica, resultado de uma longa investigação. O mais incrível foi o a descoberta de uma época, de dois países, do ponto de vista humano”, conta o diretor Andrés Varela, que dirigiu o longa com Sebastián Bednarik.
Baseado no livro “Maracanã, a história secreta”, do autor uruguaio Atilio Garrido, o filme mostra imagens de arquivo e relatos de protagonistas da partida, disputada em 16 de julho de 1950.

Os diretores levaram três anos para juntar o material, com muitas imagens oriundas de coleções privadas e para fazer as entrevistas. “Durante este período, tivemos a oportunidade de mergulhar na sociedade uruguaia e brasileira da época, com o Brasil em ano eleitoral e o desafio da construção do Maracanã, que é nada menos que um colosso que buscava mostrar a dimensão do país ao mundo”, explica Varela.

Seleção de operários
A película também exalta a “convicção e determinação desses homens, que transformaram tudo que aconteceu de ruim antes do Mundial (uma greve dos jogadores que paralisou o futebol uruguaio entre 1948 e 1949) em algo positivo”, ressalta Varela.

“Não podemos nos esquecer que os uruguaios jogavam muita bola, e enfrentavam uma seleção com talento similar e uma ótima preparação”, lembrou o diretor, chamando a Celeste da época de “seleção de operários”.

A longa greve no futebol uruguaio levou alguns jogadores a trabalhar em outras áreas para se sustentar, inclusive a construção civil. Um dos atletas que precisou trabalhar como operário foi o capitão Obdulio Varela.

O documentário vai além do relato esportivo, trazendo, por exemplo, um depoimento da viúva de Julio Pérez. Ela revela que o ex-atacante, seu noivo à época, havia prometido casar com ela se conquistasse o título no Brasil. “Ela escutou a final no rádio, fazendo crochê e rezando para que a equipe vencesse. Esta imagem reflete muito bem a época”, aponta o diretor.

Com o filme, os uruguaios vão revisitar um episódio que aconteceu há 64 anos, antes da seleção atual de Suárez e Cavani estrear na Copa, em 14 de junho no Castelão, contra a Costa Rica.

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